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Uma palavra de cada vez: Emeron ajuda crianças a superar dificuldades na alfabetização em Porto Velho

há 3 horas
5 min de leitura

Iniciativa da Escola da Magistratura de Rondônia oferece reforço pedagógico aos estudantes da rede municipal de ensino, fortalece a autoestima e contribui para o desenvolvimento da aprendizagem. O projeto é finalista do Prêmio de Inovação J.EX 2026.


Porto Velho/RO


O projeto combina reforço pedagógico e acompanhamento voltado ao desenvolvimento dos estudantes. Imagem: Célio China (SIC TV)
O projeto combina reforço pedagógico e acompanhamento voltado ao desenvolvimento dos estudantes. Imagem: Célio China (SIC TV)

“Eu até me emociono por vê-la lendo.”

A frase é de Francisca Melo, mãe de Rebeca, de 9 anos, ao falar sobre as mudanças que percebeu na filha desde que ela começou a participar do projeto “Emeron pela Alfabetização”. Segundo a mãe, a menina passou a demonstrar mais segurança, a interagir com outras pessoas e a desenvolver a leitura.


Para Francisca, acompanhar esse processo tem um significado especial. Ela destaca o acolhimento recebido pela filha e a importância de ter apoio para enfrentar as dificuldades de aprendizagem.


“O desenvolvimento dela foi espetacular, foi de zero a dez.” — Francisca Melo, mãe de Rebeca

A experiência de Rebeca é uma das histórias acompanhadas pelo projeto idealizado pela Escola da Magistratura do Estado de Rondônia (Emeron), em parceria com a Prefeitura de Porto Velho. A iniciativa oferece atendimento complementar a crianças da rede municipal que precisam de apoio para avançar na alfabetização.


Formalizado em abril de 2026, o projeto atende aproximadamente 30 estudantes da Escola Municipal Ely Bezerra de Salles, no bairro Parque Amazônia. As atividades acontecem no contraturno escolar e são planejadas de acordo com as necessidades de aprendizagem de cada criança.


Francisca Melo relata as mudanças que percebeu na filha após o ingresso no projeto Emeron pela Alfabetização. Imagem: Célio China (SIC TV)
Francisca Melo relata as mudanças que percebeu na filha após o ingresso no projeto Emeron pela Alfabetização. Imagem: Célio China (SIC TV)

Reforço escolar e acompanhamento individualizado

Aprender a ler e escrever exige mais do que acompanhar as aulas regulares. Para algumas crianças, é necessário identificar as dificuldades, adaptar as atividades e oferecer um acompanhamento mais próximo.


No local, os estudantes passam por avaliações pedagógicas que ajudam a identificar o que já aprenderam e quais habilidades ainda precisam desenvolver. A partir desses resultados, as professoras organizam atividades de reforço adequadas ao nível de cada aluno.


A professora do projeto, Cátia Mariana, explica que o trabalho segue uma metodologia sistematizada, com acompanhamento do desenvolvimento dos estudantes e atividades direcionadas às dificuldades identificadas.


A professora Cátia Mariana acompanha o desenvolvimento dos estudantes atendidos pelo projeto. Imagem: Célio China (SIC TV)
A professora Cátia Mariana acompanha o desenvolvimento dos estudantes atendidos pelo projeto. Imagem: Célio China (SIC TV)

Franciane Souza acompanha de perto as atividades e orienta os estudantes durante os exercícios. O trabalho busca respeitar as dificuldades de cada criança e valorizar os avanços no processo de aprendizagem.


“Na verdade, o projeto transforma vidas, né? É transformar vidas pela educação”, afirma Franciane. Para ela, a participação da família também é decisiva.

“Não existe educação sem família. Não existe sucesso na educação sem família.” — Franciane Souza, professora do projeto

A professora Franciane Souza orienta uma aluna durante as atividades do projeto Emeron pela Alfabetização, em Porto Velho. Imagem: Divulgação Emeron
A professora Franciane Souza orienta uma aluna durante as atividades do projeto Emeron pela Alfabetização, em Porto Velho. Imagem: Divulgação Emeron
As atividades são organizadas de acordo com as habilidades já desenvolvidas e as dificuldades de cada aluno. Imagem: Célio China (SIC TV)
As atividades são organizadas de acordo com as habilidades já desenvolvidas e as dificuldades de cada aluno. Imagem: Célio China (SIC TV)

Educação como instrumento de transformação.

A iniciativa também está ligada à atuação social da Emeron, instituição responsável pela formação e pelo aperfeiçoamento de profissionais do sistema de Justiça de Rondônia. O desembargador Gilberto Barbosa, diretor da Escola da Magistratura e idealizador do projeto, afirma que a própria história familiar reforça sua convicção sobre a importância da educação para transformar realidades.


“Eu, como filho de pessoas extremamente pobres, pai e mãe analfabeto, tenho a convicção e a consciência de que só é possível transformar vidas pelo viés da educação. Só é possível transformar vidas pelo viés da educação.” — Desembargador Gilberto Barbosa, diretor da Emeron

Segundo o desembargador, o projeto foi pensado para ir além das aulas de reforço. A proposta inclui atenção ao bem-estar emocional, à autoestima e à disciplina dos estudantes, com a participação de profissionais de diferentes áreas. O acompanhamento psicológico complementa as atividades pedagógicas e ajuda a compreender as necessidades de cada criança durante o processo de aprendizagem.


Atividades de escrita fazem parte do acompanhamento pedagógico oferecido aos estudantes. Imagem: Célio China (SIC TV)
Atividades de escrita fazem parte do acompanhamento pedagógico oferecido aos estudantes. Imagem: Célio China (SIC TV)

O desafio vai além da sala de aula

A alfabetização na idade adequada continua sendo um desafio para a educação brasileira. Dados do Ministério da Educação indicam que, em 2025, 66% dos estudantes da rede pública estavam alfabetizados ao final do segundo ano do ensino fundamental.



Para o MEC, são considerados alfabetizados os estudantes que leem breves textos, produzem inferências básicas com base na articulação entre conteúdo verbal e não verbal e que ainda escrevem com desvios ortográficos textos que circulam na vida cotidiana para comunicação simples, como convidar ou lembrar de algo. O contexto reforça a importância de iniciativas que identifiquem dificuldades de aprendizagem e ofereçam apoio complementar aos alunos.


Em Porto Velho, a parceria entre a Emeron e a Secretaria Municipal de Educação permite selecionar estudantes que precisam desse acompanhamento. De acordo com Jandernoura Rodrigues, diretora de Políticas Educacionais da Semed, as crianças são indicadas a partir das necessidades identificadas pela rede municipal.


“É uma oportunidade para as crianças que estão nas margens da sociedade conhecerem ambientes onde possam realizar seus sonhos. De querer estudar, de querer trabalhar num ambiente diferenciado. Para a criança é muito importante esse convívio externo, extra escolar também", afirma a diretora.


A expectativa é buscar formas de ampliar o atendimento em 2027, embora a abertura de novas vagas ainda não esteja confirmada.


Jandernoura Rodrigues, diretora de Políticas Educacionais da Semed, explica a participação da rede municipal na iniciativa. Imagem: Célio China (SIC TV)
Jandernoura Rodrigues, diretora de Políticas Educacionais da Semed, explica a participação da rede municipal na iniciativa. Imagem: Célio China (SIC TV)

Estudante participa das atividades do projeto Emeron pela Alfabetização, em Porto Velho. Imagem: Célio China (SIC TV)
Estudante participa das atividades do projeto Emeron pela Alfabetização, em Porto Velho. Imagem: Célio China (SIC TV)

Reconhecimento nacional

O trabalho desenvolvido pela Emeron também alcançou reconhecimento nacional. O projeto está entre os finalistas do Prêmio de Inovação J.EX 2026, na categoria Escolas Judiciais. A premiação reconhece iniciativas inovadoras no sistema de Justiça. No caso do projeto, a proposta combina educação, acompanhamento individualizado e atenção ao desenvolvimento emocional de crianças da rede pública.


Para a Emeron, o reconhecimento representa uma oportunidade de dar visibilidade ao trabalho e ampliar o debate sobre o papel das instituições públicas na promoção da educação.


“Eu costumo dizer que o homem da minha idade não tem mais espaço para a vaidade tola. O prêmio não é importante. O que é importante é levar esse projeto para todo o país. Quem sabe outras escolas de magistratura, outras escolas de ministério público, outros segmentos da sociedade possam usar isso como exemplo e multiplicar isso país afora", afirma o Desembargador Gilberto Barbosa.


“O que é importante é levar esse projeto para todo o país.” — Desembargador Gilberto Barbosa

A possibilidade de expandir o atendimento também está entre as perspectivas para os próximos anos. A ampliação, no entanto, depende de planejamento e de articulação com os parceiros envolvidos.


O desembargador Gilberto Barbosa, diretor da Emeron, idealizou o projeto de alfabetização. Imagem: Jonisson Cruz (SIC TV)
O desembargador Gilberto Barbosa, diretor da Emeron, idealizou o projeto de alfabetização. Imagem: Jonisson Cruz (SIC TV)

O significado de cada conquista

Para Francisca, os resultados se refletem nas mudanças que ela observa na filha e na confiança que a menina vem desenvolvendo ao longo do processo. A mãe destaca que o acolhimento foi fundamental para a experiência de Rebeca. Na avaliação dela, outras crianças com dificuldades semelhantes também poderiam se beneficiar de um acompanhamento especializado, que considere suas necessidades e respeitasse seu ritmo.


A trajetória da família mostra que alfabetizar vai além de ensinar a ler e a escrever. Envolve fortalecer a autoconfiança, dar segurança para interagir e garantir o suporte necessário para que cada criança avance.


Ampliar o alcance da iniciativa continua sendo um desafio. Para as crianças que já participam das atividades, porém, os avanços começam em pequenas conquistas: reconhecer uma palavra, ler uma frase e perceber, pouco a pouco, que são capazes de aprender.

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